Um gráfico na IFA 2026 que mostra onde o mundo está com a IA
Na feira de Las Vegas, um waffle chart mostrou 8,1 bilhões de pessoas por nível de uso de IA. A maioria ainda não usou. Estamos no início da onda.
Na IFA 2026, em Las Vegas, uma apresentação colocou na parede um gráfico que me fez parar. Era um waffle chart: 2.500 quadradinhos, cada um representando cerca de 3,2 milhões de pessoas. No total, 8,1 bilhões de humanos. A cor de cada ponto indicava o nível mais avançado de interação que aquelas pessoas tinham tido com inteligência artificial até fevereiro de 2026. Nada de teoria. Só o retrato de onde estamos.
Os números na parede
A distribuição era brutal de tão clara. A esmagadora maioria dos pontos — 84%, algo em torno de 6,8 bilhões de pessoas — estava na categoria “nunca usou IA”. Verde: cerca de 1,3 bilhão, usuários de chatbot gratuito. Uma faixa fina amarela/laranja: 15 a 25 milhões pagando algo como US$ 20 por mês por IA. E um bloco minúsculo vermelho: 2 a 5 milhões usando ferramentas de código assistido por IA, o que o gráfico chamava de “coding scaffold”. Menos de 0,05% da humanidade.
Ou seja: a narrativa de que “todo mundo já usa IA” é ilusão. A maior parte do mundo ainda não entrou na onda. Quem paga ou usa IA avançada no dia a dia é uma fração pequena. O gráfico não opinava. Só mostrava onde estamos.
Mudanças de era que já vivemos
Já passamos por viradas assim. Internet nos anos 1990: em 1995 ainda era coisa de nicho, modem discado, páginas estáticas. Em retrospecto, era óbvio que ia mudar tudo. Na época, não. Smartphone a partir de 2007: o iPhone saiu e pouca gente tinha a sensação nítida de que estava no início de uma revolução. Parecia um celular melhor. Só anos depois a escala da mudança ficou visível. Em todas essas ondas, duas coisas se repetem: em retrospecto a virada é óbvia; no meio dela, é confusa e gradual.
No meio da mudança, é mais difícil ver a mudança
Quando estamos dentro do processo, a dimensão da transformação fica escondida. O novo vai virando normal aos poucos, e o “normal” não parece tão dramático. Quem vivia a popularização do e-mail não tinha a sensação clara de que estava enterrando o correio físico. Quem adotou WhatsApp nos primeiros anos não imaginava que aquilo viraria infraestrutura básica de comunicação para bilhões. A gente se adapta dia a dia e só enxerga o tamanho do salto quando olha para trás.
Com IA é parecido. Quem usa Claude ou ChatGPT todo dia já incorporou a ferramenta ao ritmo. O estranho seria ficar sem. Mas o gráfico da IFA lembra: a maior parte do mundo ainda está do outro lado. Daqui a uma década, esse slide vai parecer um retrato do “antes”. Nós estamos vivendo o antes — e no meio do antes é mais difícil perceber o quanto estamos mudando.
Onde estamos e o que vem pela frente
Estamos passando por uma mudança de era. E ainda estamos muito no início de uma onda que tende a ganhar cada vez mais força. O gráfico não diz o que vai acontecer; diz onde o mundo está hoje. A conclusão que tirei é que o que vem pela frente tende a ser muito maior do que o que já aconteceu. Quem quiser pensar nisso a fundo pode seguir em o que sobra quando a IA faz o que você faz e em como a IA já está mudando o trabalho de quem a adotou.
A pergunta que fica: daqui a dez anos, quando olharmos para 2026, o que vamos enxergar que hoje ainda não conseguimos ver?
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